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Cutman: O conselheiro da nova economia.

Cutman: O conselheiro da nova economia.

Há muitos altos e baixos ao criar uma empresa do zero ou transformar um negócio. Alegrias, dores e ferimentos se misturam, momentos em que é preciso evitar decisões importantes. Mesmo que as coisas sigam bem, a euforia do crescimento pode cegar o controle, gerando uma espécie de “antídoto ao compliance” e arruinando os pequenos e médios negócios.

Criar algo requer uma certa dose de individualismo para acreditar nele e entregá-lo, independentemente do que as pessoas dizem. Mas, não é possível fazer isso sozinho. Um bom empreendedor, além de conhecer-se muito bem, sabe ouvir.

Mas ouvir a quem? E como?

Na governança empresarial temos os conselhos consultivos ou de administração e a educação continuada de conselheiros, todas práticas que visam apoiar decisões melhores. Mas na “velocidade da luz” da nova economia, é preciso adotar outras práticas.

Vítor Belfort, um dos grandes atletas brasileiros de MMA, contou em seu recente livro que tinha um conselheiro. Ele o chamou de CUTMAN, o responsável por estancar cortes e amenizar ferimentos, de forma rápida, mantendo Vitor dentro do “octógono da vida”.

Mentoria, como a de um cutman, é pauta de nosso http://bit.ly/MasterClass2019GNE. Uma prática para empresas da nova economia, que antecede um board de advisors ou um conselho consultivo e, quando esses já existem, os complementa. É um trabalho de apoio mais pessoal, como válvula de escape aos desafios e incertezas de um novo negócio, à pressão do seu crescimento e/ou a uma forte transformação.

Entre os altos e baixos da carreira, Belfort conta no livro as etapas para se levantar de uma queda. Observe-as abaixo. Há elementos muito comuns aos que enfrentamos ao dia a dia das startups:

1 Ficar no chão: é necessário absorver o impacto da queda. Mas seja breve, pois esse tempo não pode ser longo o suficiente para criar raízes;

2 Sentar e tomar fôlego: é a hora de se fortalecer, escolher reagir e não se entregar;

3 Escolher uma direção e caminhar: agir é o mais importante neste momento, mesmo sem ter muita clareza de suas decisões.

O cutman é uma ótima analogia para refletirmos sobre a atuação de um conselheiro no ringue da nova economia. É alguém que não está lá dentro (hands out); por isso, desintoxicado do dia a dia, consegue manter a lucidez. Mas a incerteza, o calor das hipóteses e dos pivots, somados à velocidade desses negócios joviais, exigem mais proximidade dos conselheiros do que as tradicionais cadências e formatos. Parece adequado estar em estado de prontidão, logo atrás das cordas, com o nariz muito mais perto, sentindo a força dos golpes e suas consequências, e podendo agir rápido com os curativos.

Um cutman deve ser alguém que já esteve lá dentro, que saiba o jogo de corpo que um octógono requer, que possua o know-how do negócio e, sobretudo, dos socos que são despejados sobre a cabeça dos sócios. Deve ser alguém que de fato já construiu ou que constrói empresas, pois só tomando muitos socos, caindo e levantando várias vezes, é que se aprende onde dói e como o sangue deve ser estancado. Este é o apoio útil no ringue das incertezas de um conselho da nova economia. 

 

 

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