[ editar artigo]

Desafios da Gestão por Valor na Nova Economia

Desafios da Gestão por Valor na Nova Economia

O maior dilema de todo agente econômico, seja uma pessoa, uma família, uma empresa ou um governo, é alocar seus recursos escassos frente ao infinito número de necessidades. É inevitável tomar decisões, por vezes dolorosas, se você quer participar do jogo econômico. E decidir nada mais é do que escolher entre um caminho em detrimento de vários outros possíveis, ponderando o famigerado e tão pouco reconhecido custo de oportunidade. 

A nova economia tem exigido dos gestores, investidores e colaboradores um processo de tomada de decisão mais rápido e mais eficiente, dentro de um ambiente de informação abundante, rapidamente distribuída e facilmente consumida. Especificamente no mundo que estou inserido, a indústria do capital de risco, como investidor-anjo, os processos de tomada de decisão estão sendo agressivamente desafiados por este novo ambiente. Nosso árduo trabalho não pode desconsiderar que para dizer um ‘sim’ foi preciso dizer um número muito superior de ‘nãos’. 

Esse ambiente de caos e ordem se transformou em terreno fértil para repensarmos as formas e processos de tomada de decisão. E não me refiro apenas à escolha de onde e quando investir, mas principalmente nas decisões tomadas no ciclo de vida do investimento, desde o primeiro cheque até o feliz dia da saída. 

A engenharia econômica criada por empreendedores e investidores para suportar a evolução brutal dos modelos de negócios desenvolvidos permitiu que o capital alavancasse exponencialmente os ciclos econômicos das companhias investidas - não se pode desprezar o papel que o capital tem exercido nas organizações exponenciais. O ponto de reflexão gerado no meio dessa indústria feroz-veloz é como manter uma governança otimizada num ambiente onde agentes econômicos interagem sob um propósito comum - criação de valor, porém cada qual com sua tese e agenda de trabalho. 

Por mais alinhados que estejam os interesses dos sócios, incluindo fundadores, investidores, mentores e até primeiros empregados, toda tomada de decisão será um processo árduo de busca de convergência. Um exemplo prático desse dilema diz respeito à gestão baseada no valor, como uma forma de pano de fundo para a governança interna da companhia. 

A gestão baseada em valor pressupõe um entendimento claro do valor da companhia em suas diferentes fases. Entretanto, a indústria do capital de risco contrariou todas as linhas metodológicas de valoração econômica e virou de penas para o ar as análises quantitativas. Atualmente, o valor de uma companhia se parece mais com um processo de precificação de sua fase, do que necessariamente do valor representado no presente do potencial de geração de lucros futuros de seu fluxo de caixa. 

Agora imagine um grupo que busca escalar o valor de uma companhia, imersos e comprometidos com o plano de negócios, tomando uma série de decisões complexas e já atrasadas frente à velocidade do ambiente externo, considerando que cada um tem sua própria percepção de valor e pagou preços (e teses) diferentes de entrada. 

Costumo dizer que esse seria o novo dilema do prisioneiro, adaptado ao cenário de uma empreitada econômica de alto risco mas com alto potencial de retorno. Sua decisão individual nem sempre será a melhor decisão para o grupo. Se todos do grupo mantiverem desejos individuais, pouco sobrará de prosperidade ao objetivo comum. E o ganho coletivo é superior à todos os ganhos individuais. 

Esse é um dos aspectos sutis que permeiam e desafiam a governança na nova economia. O que antes eram decisões a serem tomadas em prazos conhecidos, hoje são escolhas de vida ou morte e que já nascem como se já tivessem que ter sido tomadas. Nunca estivemos tão próximos de uma robotização das decisões, mas também nunca foi tão necessário a percepção humana para ponderar aquilo que é impossível ser calculado pela máquina.

Léo Jianoti

CEO at CWB Capital, Angel Investor at Curitiba Angels e professor do Masterclass 2019 Governança & Nova Economia.

 

Governança & Nova Economia
Léo Jianoti
Léo Jianoti Seguir

Economista, investidor-anjo e conselheiro de empresas. | Professor e escritor [amador].

Ler matéria completa
Indicados para você